Esperança em meio ao Covid-19

by - março 21, 2020



Pela primeira vez, cheguei em casa e não fui dormir. Fui tomar banho. Minha mãe se encontrava dormindo ainda e pela primeira vez não fui dar um beijo nela. Não posso, não agora.

Pela janela do banheiro, entrou o sol da manhã, leve, morno. Ele iluminou o máximo que conseguiu atingir da parede, do meu corpo e cintilou um brilho dourado, junto com a sombra.
Pela primeira vez, não estava me preocupando com minhas notas, com meu sono, com meus cursos, minha carreira, com meu apartamento novo e tantas outras coisas.
é a primeira vez de muitas coisas. De um dia para o outro, o mundo virou ao avesso. E se tornou tudo para se pensar. Para ouvir e ler as notícias novas a cada minuto.

Então, me agachei no banho e deixei a água e o sol tomarem conta. Tampei os ouvidos e minha mente. E imaginei o céu, lá fora. Deveria estar tão bonito quanto antes de tudo isso. Antes dessa bagunça.
Talvez esse momento seja para repensarmos no que estamos fazendo. Talvez seja o mundo com raiva. Talvez seja nossa própria raiva e indelicadeza contra nós mesmos. Mas aí, entramos no quesito de destino, universo conspiratório. E talvez, não seja nada, só o acaso. Seja qual for a verdade, ou sua crença, independente de qualquer coisa, é o momento de aproveitarmos as pequenas coisas que nos cerca. Porque, além do caos, é possível ver muitas coisas bonitas nesses tempos difíceis que está somente no começo: Aplausos na janela para profissionais que estão na luta por pessoas morrendo, doação de pão para crianças que não tem o que comer, tinham somente a alimentação da escola que fechou, pessoas arrecadando sabonete para as favelas que não tem para lavar as mãos, candidatos fazendo compras para vizinhos idosos, 16 mil voluntários da saúde para cuidar de áreas precárias, pessoas dançando na varanda, famílias se unindo depois de tantos anos vivendo na correria da rotina.

Talvez seja uma pausa. Seja um baque para lembrarmos que existe compaixão, amor, cidadania e pessoas com corações gentis, em um mundo, cidades, que tornaram nossos corações frios nessa maré de concreto, cinza, dinheiro, egoísmo e tecnologia.

Olhemos o sol, as nuvens, as estrelas, o céu, o café da manhã e almoço com quem a gente ama, nossa família com mais gratidão, pois agora não podemos abraçar ou beijar.
Repensemos nosso propósito.
Eu sei, muita gente vai partir. Eu sei. Vai doer. Vamos nos cuidar, cuidar dos nossos grandes amores, e olhar para tudo que está sendo bonito ainda assim para poder aguentar o luto quem tiver de aguentar.
E que quando tudo passar, retornemos melhores como sociedade e ser humano.
Porque, vai passar, certo? Vai passar.

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