Filme Bokeh - resenha sem spoilers

by - agosto 14, 2019





Melancolia, tristeza, reflexão.
É como eu descreveria esse filme, porém, ele é tão incrível, que eu não poderia simplesmente me limitar a isso. Original Netflix, com foco em Jenai (Maika Monroe) e Riley (Matthew O’Leary) o casal desfruta uma viagem na Islândia.

De início, pude notar algo muito importante: O casal interage apenas entre si, tiram fotos, riem, se divertem sós, ao invés de com o restante do grupo presente nos passeios.

Certa madrugada, Jenai acorda e se depara na janela com uma Aurora Boreal, muito intensa. Na manhã seguinte, quando ambos saem para tomar café, notam que não há nenhum ser vivo pelas ruas, ou em qualquer outro ambiente. No começo se perguntam se está havendo algum evento, porém, depois de muito buscarem alguém, nada encontram.
A raça humana desapareceu, e eles precisam viver apenas os dois, presos na Islândia.


Os personagens

Jenai, interpreta a mulher que busca uma razão, um motivo e sente solidão, se perguntando porque Deus instaurou tal decisão no mundo, abandonando-os, ou se era um teste para se encontrarem. E em muitos momentos, diz: “Eu só quero ir para casa.”
Mas, será que realmente, temos casa?
Em algumas ocasiões, Jen parece feliz, mas logo depois, você nota tristeza em seu rosto e atitudes. é nítido que a personagem se decepcionou com o que acreditava, no que antes tinha crença e fé, e só agora, percebeu que talvez nada faça realmente sentido, não haja um motivo.


Riley, interpreta o homem que ainda que sinta falta de sua vida anterior e familiares, se adapta com mais facilidade ao novo ambiente, e tenta ao máximo querer usufruir das coisas que antes eram proibidas, com regras e quer conhecer tudo a sua volta, fotografar, ver o que está a disposição e demonstra muito amor por sua parceira, tentando consola-la.

Os personagens são bem distintos, me apaixonei por ambos, a forma que foram retratados em dialógos, detalhes pequenos, são maravilhosos.


Deus entra em cena?

Um outro participante aparece em cena, em sua casa um pouco mais isolada, um idoso muito sábio, e Jen se enche de esperança, na ilusão de que as pessoas estão reaparecendo, ou que existam mais pessoas pelo mundo, sozinhas, perdidas, e acredita que devem continuar buscando. 
Mas, sua visita no filme é rápida, na manhã seguinte ele falece, contudo trazendo o que talvez sejam as frases principais:
“Pesar por um lar, ao qual não se pode voltar.”
“Deus não nos leva em conta. Seu plano é existirmos no mundo que Ele criou para nós, não para existirmos no mundo dele.”


Conclusão

Retomando ao começo, nos damos conta de que não nos comunicamos com as pessoas ao redor, ficamos no nosso mundo, nossa bolha, todos os dias, com os olhos vidrados no celular, sem um sorriso. Nos limitamos a nos comunicar com conhecidos, presos no conhecido, e ao mesmo tempo, se tudo desaparece, entramos em desespero, necessitamos da presença do outro, para que as engrenagens funcionem.

E para finalizar,
com certeza já deve ter ouvido/dito alguma dessas frases: Para tudo que acontece se tem um motivo, razão, conspiração e é assim que deveria ser, para nos trazer algum aprendizado. 

A trama toda nos leva a refletir o quanto precisamos crer que existe um destino, uma causa para a existência, para que não entremos em colapso mental.
Talvez o amor não seja suficiente. Talvez não exista um plano.

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