Entre versos e textos

moço de camisa listrada

julho 28, 2019




Tenho deixado os dias passarem. Me deitado e não me arriscado. Amarga, ansiosa, todos os dias. Esperando sempre o que está por vir. Sem sentir o agora.

Hoje,
em plena avenida Paulista, espero o ônibus e me deparo com um cara, no meio da avenida, na pista de ciclistas, onde cada lado da avenida, os carros se cruzam em direções contrárias. O vento bagunça seu cabelo. E ele não está na faixa. Ele não está na faixa. Está pacientemente, naquela avenida esperando para atravessar o lado que falta, dançando, com fones de ouvido, enquanto os carros o cruzam em velocidade.

E eu estou aqui, parada, ansiosa, com o peito apertado para o ônibus chegar, para eu ir em pé, para eu chegar logo em casa, me deitar.
Eu poderia estar olhando o céu, sentindo o vento ou curtindo uma música também. Eu poderia olhar mais para as pessoas. Eu poderia ler. Eu poderia não pensar em nada.

Só estar aqui, no hoje.

Não é possível que ele consiga atravessar.
Ele nem sequer se importa para nada, para ninguém, o tempo, os carros.
Então em uma pausa, ele atravessa. E já do outro lado, dança, canta ainda mais.
E se vai,
com os passos apressados, no ritmo da música.
Eu não sei quem ele é, mas o moço de camisa listrada, me mudou completamente.
E ele sequer sabe. Porque ele é só dele.

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